Na medida em que o tempo passa e fatos novos vão surgindo no cenário eleitoral de Ponta Grossa, tudo parece conspirar em favor de uma candidatura própria do Partido dos Trabalhadores ao governo municipal em 2012. Até alguns dias atrás, essa era uma possibilidade colocada em segundo plano. Isto porque o melhor e talvez único nome do partido, em potencial, para disputar o cargo de prefeito é o deputado estadual Péricles de Holleben Mello, que neste momento encontra-se impedido de ser candidato.
Péricles teve os direitos políticos cassados porque a Câmara Municipal manteve parecer do Tribunal de Contas que rejeitou as contas de sua gestão na Prefeitura. Porém, a bem da verdade, a avaliação das principais lideranças internas do diretório petista em Ponta Grossa é de que a reversão da inelegibilidade de Péricles é uma mera questão de tempo. Os ‘companheiros’ acreditam que o deputado chegará à época das convenções em meados de maio do ano que vem, em condições plenas de ser candidato. Nem que para isso precise recorrer a uma liminar da Justiça.
Mas o que mais tem animado os petistas a investirem numa candidatura própria a prefeito, em 2012, é a divisão dos grupos políticos alinhados ao governador Beto Richa na cidade. Em todas as pesquisas divulgadas até agora, Péricles aparece em terceiro lugar nas intenções de voto a prefeito, atrás de Marcelo Rangel (PPS) e Plauto Miró Guimarães (DEM). Ocorre que a briga entre Marcelo e Plauto pelo apadrinhamento de Beto tem causado um racha na ala governista.
Neste quesito, aliás, o deputado do DEM parece ter dado um salto à frente. Há poucos dias, o próprio governador anunciou a aliança PSDB/DEM em Ponta Grossa, juntamente com a filiação, à legenda tucana, do reitor da UEPG, João Carlos Gomes, com as bênçãos do prefeito Pedro Wosgrau Filho. Não resta dúvida, portanto, que Beto Richa optará pela aliança de seu partido. E Marcelo Rangel terá buscar outras alternativas a fim de construir uma aliança.
Outra situação que encoraja o PT a ter candidato próprio a prefeito é a aparente cizânia também do grupo da renovação política que emergiu das últimas eleições. O grupo era forte quando reunia, no mesmo espaço, Marcelo Rangel, seu irmão e deputado federal Sandro Alex (PPS) e o empresário e presidente da Acipg, Márcio Pauliki. Ocorre, que Pauliki também decidiu seguir o seu próprio caminho. Se filiou ao PDT e, na conversa que teve nesta semana com partidos da Aliança Cristã, disse que, em vez de apoiar os irmãos Oliveira, como fez nas últimas eleições, irá buscar o apoio deles para ser candidato a prefeito.
Ao optar pela carreira solo, rumando para o PDT, Pauliki enfraqueceu um pouco mais a candidatura de Marcelo, que, pelo visto, já não pode contar mais com o apoio de Beto Richa. O presidente da Acipg esperava contar com uma aliança do PT, ganhando o apoio da ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, que quer ser candidata a governadora em 2014 e precisa de prefeitos especialmente nos grandes centros do Estado.
Porém, o nome de Pauliki foi fortemente rejeitado pelos petistas de Ponta Grossa. E agora, o presidente da Acipg corre o risco de ficar sozinho, depois de já ter enfraquecido a candidatura de Marcelo. Até porque o PMDB, outro partido de centro esquerda que, em tese, poderia se aliar ao PDT agora está nas mãos do ex-deputado Jocelito Canto, que não demonstram nenhum indício de que aceitaria compor com Pauliki.
Outro que sonha em ser candidato a prefeito numa aliança com o PT é secretário municipal de Governo, João Barbiero, do PR. Ele anda cercando lideranças petistas locais, a fim de buscar uma composição, que, a cada dia que passa, se torna mais difícil. A não ser que o PR esteja disposto a apoiar um candidato a prefeito do PT.
O projeto de uma candidatura própria do PT ganha força. E isso é natural, sobretudo porque a eleição será polarizada entre o candidato do governador Beto Richa e o candidato a Gleisi. Se Gleisi é do PT e o terceiro colocado nas pesquisas, atrás dos dois pré-candidatos da ala governista, é o petista Péricles, porque os ‘companheiro’ fariam sobra a caciques de outros partidos? Se alguém apostava em ganhar espaço nas próximas eleições se encostando no PT, pelo jeito, terá que rever os seus planos. Péricles vem aí...