Paraná decide abrir Mapa do Crime à população.
O Geoprocessamento-Mapa do Crime, sistema de mapeamento criminal do Paraná, vai passar a publicar as estatísticas por cidades a partir do ano que vem. O chefe da Coordenadoria de Análise e Planejamento Estratégico (Cape), tenente-coronel Marco Antonio Wosny Borba, confirmou mudanças no sistema de divulgação das estatísticas. A proposta é a população ter mais acesso aos dados da criminalidade. Hoje, a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) divulga estatísticas regionalizadas.A primeira das mudanças previstas será a regionalização das reuniões entre comandantes, delegados e secretário estadual. Hoje, os debates das estatísticas da segurança pública do estado são realizadas em Curitiba. Após a mudança, cada área integrada de segurança pública, que agrega subdivisões da Polícia Civil e batalhões da Polícia Militar, será responsável pela administração das informações fornecidas pela Cape. “As metas serão regionalizadas e a ideia é que haja uma avaliação constante”, afirma Wosny.
Como é hoje
Implementada em 2004, a Cape é ponto fundamental para melhorar a segurança pública no estado. É com base nas informações geradas pelo setor que as polícias podem saber onde atuar com mais intensidade. “É essencial para dar precisão nas políticas públicas”, afirma o ex-secretário Nacional da Segurança Pública, o coronel da reserva paulista José Vicente Silva.
Segundo Silva, essas informações são fundamentais para fazer ajuste de recursos, como distribuir efetivos. “É importante também para a população saber como está o trabalho policial e conferir a eficiência dos recursos públicos”, comenta.
Formado por dez profissionais das áreas de Tecnologia da Informação, Ciências Jurídicas e Sociais, Estatística, Cartografia e Geografia, a Cape inicia o processo com a coleta das informações pelo Boletim de Ocorrência. Após a coleta, as informações de cada crime são direcionadas para softwares chamados Arc-gis, mapserver, geoserver e I3geo, que compilam as informações e reproduzem as “hot spots” (manchas criminais).
Os profissionais ainda encaminham as informações para um banco de dados compartilhado para todas as unidades de polícia do estado. Há hoje mais de 300 policiais capacitados para receber as informações da Cape. Pela metodologia adotada pela coordenadoria na última gestão, os comandantes e delegados são responsáveis por apresentar essas informações para a população nos Conselhos Comunitários de Segurança (Consegs). “O problema é que falta participação popular”, ressalta.
Lesão e morte
A taxa de 27 homicídios por 100 mil habitantes do Paraná pode ser ainda maior. Segundo Wosny, a lesão corporal seguida de morte não está incluída nas estatísticas dos homicídios do estado. O número suprimido ainda não foi revelado e não se sabe o quanto acrescentaria à taxa atual da violência paranaense. As estatísticas da criminalidade ainda não contabilizam mortes em confronto com a polícia e latrocínios (roubo seguido de morte). De acordo com Wosny, a Sesp está analisando quando e como disponibilizará essas informações no Mapa do Crime.
Números comprovam eficiência do sistema
Mais do que planilhas em computadores, os números do geoprocessamento têm saído das telas para ajudar a polícia a definir políticas de segurança e planos de trabalho. Para o delegado Guilherme Rangel, adjunto da Delegacia de Furtos e Roubos (DFR), a palavra de ordem quando se fala em inteligência policial é otimização de recursos. “Se as condições não são as ideais, temos que concentrar os esforços de forma mais focada, embasada nesses números.”No início do ano, Curitiba viveu uma onda de assaltos e arrombamentos a residências. A Cape mapeou as ocorrências, detalhando dias e horários dos crimes e as manchas criminais onde se concentravam. A DFR delineou as investigações e, em dez dias, duas quadrilhas estavam desmanteladas. Trinta dias depois, já eram 19 presos, de quatro grupos criminosos diferentes. “No Jardim Social, por exemplo, que era um dos mais visados, houve redução de mais de 70% de casas invadidas”, disse.
Outro bom exemplo é o da Delegacia de Homicídios (DH) de Curitiba, cujo setor de estatísticas cadastra os crimes contra a pessoa. Bastante detalhado, o mapeamento leva em conta informações sobre a vítima (sexo, idade, onde residia, se era usuária de drogas, se tinha passagem) e sobre o crime em si. O banco de dados é alimentado depois com informações dos inquéritos policiais. A partir daí, o núcleo cruza informações, capaz de fornecer uma leitura precisa sobre as ocorrências.
Segundo a delegada Maritza Haisi, titular da DH, os números norteiam constantemente a atuação da unidade. Desde março, o geoprocessamento já ajudou a definir quatro operações, em bairros distintos. No Novo Mundo, houve o resultado mais expressivo. O bairro era um dos mais violentos de Curitiba, com 17 homicídios no primeiro semestre. Após a operação, que terminou com a prisão de 11 pessoas, apenas um assassinato foi registrado, em agosto. “Ou seja, quando a inteligência é empregada, os resultados são imediatos”, conclui a delegada.
por Felippe Anibal. GAZETA DO POVO
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